sábado, 11 de junho de 2011

GP de Mônaco e Indy 500.

No último fim de semana de maio, tivemos as das das mais tradicionais provas do automobilismo mundial, o Grande Prêmio de Mônaco e as 500 Milhas de Indianápolis.

Começando por Mônaco, a corrida que começou semanas antes da data, quando a Fia decidiu onde iria usar a asa móvel (na reta dos boxes), e mesmoa assim muito polêmica. Alguns pilotos queriam usar em todo o circuito (no caso dos treinos), outros queriam que não usasse, e por final, decidiram que poderia-se usar o dispositivo em todo o circuito, com exceção no túnel.

Infelizmente no treino oficial tivemos dois acidentes, um do Liuzzi, sem maiores consequências, e outra de Sergio Perez, na saída do túnel. Ele perdeu o controle do carro na freiada, e bateu na barreira de pneus que fica junto à chicane, ficou inconsciente e foi levado ao hospital, felizmente sem nada grave. Mas uma coisa que preocupa na proteção da chicane é que Nico Rosberg no treino pela manhã quase bateu no mesmo local (se tivesse batido, seria com muita violência, diga-se de passagem). E também foi no mesmo local onde Karl Wendlinger bateu em 1994, ficou em coma e nunca mais pôde voltar à Fórmula 1. O acidente de Wendlinger, por sinal foi na semana seguinte aos acidentes com Barrichello, Roland Ratzemberger e Ayrton Senna naquele fatídico Grande Prêmio de San Marino.

Eu acho que a Fia já deveria ter tido atitudes quanto à segurança ou mesmo retirar a pista de Mônaco do Calendário, afinal é uma das corridas mais chatas do calendário, que só salva pela beleza do circuito, tivemos uma corrida até que interessante com o Alonso sendo bem agressivo na largada, e algumas ultrapassagens. Uma ultrapassagem interessante a ser citada, é a de Schumacher em cima de Button na Loews. Mas como a McLaren rendia muito mais que a Mercedes, o alemão foi muito pressionado pelo Inglês, que mesmo tendo um carro melhor, e podendo usar Kers e asa móvel, não conseguia ultrapassar. Pior que a corrida da Espanha, só mesmo Mônaco.

Vimos também outra irresponsável manobra de Lewis Hamilton em cima de Felipe Massa. Também na Loews. O cara está passando da hora de receber uma punição mais severa. Quando ele estreou na F1, eu até torci por ele, mas alguns jogos sujos e algum favorecimento na cara dura me decepcionaram com o inglês. Na batida com Massa, um pedaço da asa dianteira do braseleiro quebrou e ele perdeu a pressão aerodinâmica no túnel.

Mas a melhor parte da corrida, ficou para o final (ou melhor, quase ficou). Como eu tinha previsto, a Ferrari estaria em melhores condições em Mônaco, e no final tivemos Vettel com pneus na lona liderando a corrida (ele só tinha parado na volta 15), seguido por Alonso da Ferrari com pneus melhores pressionando-o fortemente e em terceiro Jenson Button da McLaren que tinha os pneus mais novos, chegou a andar 2 segundos mais rápido que Vettel e Alonso. Isso prometia uma disputa muito emocionante para o final. Fiquei super empolgado, estava disposto até a parar de falar mal da corrida de Mônaco, afinal de contas, o final da prova ia lembrar o final da corrida de 92, quando Mansell com um carro melhor pressionava fortemente Ayrton Senna (bons tempos...)

Mas um acidente envolvendo vários carros na saída dos "Esses" da Piscona e causando a retirada de Petrov e Algersuari da corrida, causou uma bandeira vermelha. Danificou inclusive as asas traseira e dianteira do carro de Hamilton. Até aí tudo bem. Limpava-se a pista e tudo voltava à normalidade, até com uma desvantagem maior para Vettel, pois seus pneus mais gastos iriam demorar mais para aquecer. Mais uma pimenta no tempero da emoção.

Mas eu vi tudo cair por terra quando vi a McLaren carregando um bico novo para o carro de Hamilton. Começou-se uma discussão sobre se isso poderia ser feito. Mas disseram que poderia, afinal de contas, vários carros fizeram reparos e o pior, muitos trocaram os pneus, inclusive os três líderes. Não concordei com isso, afinal de contas, isso foi como fazer um pit-stop sem perder tempo. Achei um absurdo.

Quando a corrida reiniciou, já não havia mais emoção. Vettel, Alonso e Button, que prometiam um pega muito emocionante (e eu já tinha inclusive apostado em Vettel e Button como os prováveis vencedores), acabaram a corrida apenas seguindo um ao outro.

Mais uma vez a Fia acabou com a emoção da prova. Se ao invés da bandeira vermelha, tivessem colocado Safety Car até o final da prova, teria sido mais nobre. Quanto ao Hamilton, ele saiu de lá até dizendo ser vítima de racismo pelas punições que teve na temporada toda, mais especificamente depois das duas punições em Mônaco (uma por ter causado a batida de Massa e outra por bater em Pastor Maldonado. Essas foram suas palavras: "De seis corridas na temporada, fui punido cinco vezes. É uma piada, uma piada ridícula… Talvez seja porque eu sou negro."

E, sobre a disputa com Massa, ele acrescentou: “Eu estava muito mais rápido que o Massa. Fui por dentro e ele jogou o carro para cima de mim quando fez a curva… Mas é claro que eu fui o punido, como de costume. Ele já havia me prejudicado no treino classificatório e eu também fui penalizado. Agora, ele foi para cima de mim e também fui prejudicado”; logo em seguida ofendeu ao piloto rival: “É ridículo. Esses pilotos são incrivelmente ridículos. Eu fiz a curva por dentro e, como dá para ver no vídeo, ele girou o volante para impedir a minha ultrapassagem e encostou no meu carro”. Ele foi chamado pelos comissários para explicar a declaração. Com o talento que tem, não precisa se posar de vítima... Basta acelerar mais. E isso ele sabe fazer.

Quanto à Indy, tenho mantido a tradição de não assistir a uma das corridas mais esperadas do ano (não acompanho muito a Fórmula Indy pela falta de respeito da Band com os espectadores, mas as 500 Milhas não tem jeito. Aguardo ansiosamente todo ano para ver), mas sempre algo acontece. Este ano eu estava cuidando da minha mudança. Aconteceu em anos anteriores de eu ter que viajar, acabar a energia elétrica, teve inclusive um ano, acho que em 97 ou 98, não me lembro, que choveu na pista e a corrida ficou para o dia seguinte, depois para terça-feira. E advinhem só: tinha prova na escola.

Mas dessa vez eu comprei uma placa de captura de vídeo e gravei a corrida no meu PC. Pena que não existe mais Vídeo Cassete e os gravadores de DVD que entraram no mercado para substitui-los foram proibidos por causa de uma ação judicial que as emissoras entraram. Bom... Pelo menos paguei barato: 93 reais, ao invés de uns 300 que pagaria por um videocassete ou uns 500 por um gravador de DVD. Afinal de contas, mesmo que em VT, não perderia a edição que comemora os 100 anos da corrida.

Mas a corrida foi interessante, nada de muito espetáculo, mas pelo menos muito melhor que Mônaco.

Uma coisa que merece destaque foram os pit-stops de Paul Tracy. Não tenho o número de quantos foram nem estatísticas de quem fez mais pit-stops em corrida, mas acho que nestas Indy-500 o Paul Tracy chegou ao recorde.

Danica Patrick, assim como Hamilton, está indo para o lado negro da força, chegou a ser vaiada em Indianápolis.

Mas o melhor mesmo foi o final. O piloto que estava para vencer, Jr. Hilderbrand, na última curva, foi ultrapassar um retardatário, pegou o lado sujo da pista, perdeu aderência e bateu no muro, já na reta principal. O carro foi se arrastando, mas foi ultrapassado por Dan Wheldon (que Luciano do Valle até hoje teima em chamar de "Dom" Wheldon). Wheldon venceu a prova e Hilderbrand ainda conseguiu um segundo lugar. Fantástico.

Detalhe: Wheldon venceu mesmo sem ter liderado uma volta sequer. Pesquisei quando isso já tinha acontecido na Indy-500 e vi que isso só aconteceu em 1912. Ou seja, na edição de 100 anos da corrida, um tabu de 99 anos foi quebrado.

Como disse Villeneuve depois do GP da Hungria de 1997, onde Hill com uma Arrows liderou de ponta a ponta, mas no meio da última volta seu carro deu problema e Villeneuve ganhou. "A volta importante de liderar é a última". E pelo que vimos, é liderar pelo menos os últimos metros dela.

Para Hilderbrand, vale o grande ditado-trocadilho do automobilismo: "Para chegar em primeiro, primeiro é preciso chegar".

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